TEXTO TEATRAL PARA MONÓLOGO – EXERCÍCIO DE JOGOS TEATRAIS - “TECENDO MEMÓRIAS: A JORNADA EDUCATIVA DE CLIMÉRIO GALVÃO CÉSAR”

 

TEXTO TEATRAL PARA MONÓLOGO – EXERCÍCIO DE JOGOS TEATRAIS

 

“TECENDO MEMÓRIAS: A JORNADA EDUCATIVA DE CLIMÉRIO GALVÃO CÉSAR”

 

 [Climério Galvão César está em um palco vazio, de pé diante do público, falando diretamente para eles. Ele usa roupas da época em que viveu, século XIX e início do século XX. Seu tom é sereno e reflexivo, como alguém compartilhando suas memórias]

 

Climério Galvão César:  Bem-vindos, nobre público, à minha história, à minha jornada. Permitam-me guiar vocês por entre os anos, pelas experiências que moldaram quem eu fui e como cheguei a ser. Nasci em Guaratinguetá, em São Paulo, no distante 23 de fevereiro de 1883. Meus pais, Manoel Galvão César e Maria dos Prazeres Galvão, eram meus alicerces, a base da minha jornada.

 

Ele caminha pelo palco, evocando suas memórias com um sorriso suave.

 

Climério Galvão César:  Meus primeiros passos foram dados na escola do Sr. Antonio das Almas, onde aprendi as primeiras letras. A jornada continuou com o Sr. João Coutinho, no Bairro Potim, e finalmente, o Grupo Escolar da Praça 13 de Maio. Mas, caros amigos, o destino teceu sua teia e, antes da conclusão da quarta série, o chamado do comércio ecoou. Em 1893, me entreguei a essa empreitada.

 

Ele para, olhando para o horizonte, antes de se voltar para o público novamente.

 

Climério Galvão César:  No entanto, o coração almejava mais. Ano de 1889, Lorena me viu apresentar-me ao provincial salesiano, o PE. Carlos Pereto. A semente do ensino havia sido plantada, e o desejo de estudar a carreira sacerdotal tornou-se realidade. Filosofia, teologia, ensino. Os anos me moldaram, de Lorena a Niterói, Campinas a São Paulo, o magistério se tornou minha missão.

 

Ele caminha pelo palco mais uma vez, relembrando as várias cidades pelas quais passou.

 

Climério Galvão César:  O amor pelo ensino era profundo, mas outras páginas viraram. Em 1909, deixei a ordem salesiana e adentrei ao mundo como professor particular em São Paulo. Em Guaratinguetá, ergui um Curso de Admissão à Escola. Dos anos 1910 a 1920, o Colégio Nogueira da Gama me acolheu, e ali, ministrei aulas desde o primeiro dia. Línguas, matérias variadas, minha paixão fluía.

 

Ele olha para o público com um brilho nos olhos.

 

Climério Galvão César:  A trajetória seguia adiante, como o próprio rio que corta Guaratinguetá. O curso complementar anexo à escola normal me viu em 1921, ensinando francês e latim. Inglês veio, seguido pela educação. Em 1926, vereador, defendi os réus indigentes em tempos onde leigos atuavam no foro criminal.

 

Ele pausa por um momento, um tom de orgulho em sua voz.

 

Climério Galvão César:  Autor de livros didáticos, a história da civilização para cursos comerciais floresceu em minhas palavras. Orador em incontáveis ocasiões, minha voz ecoou em solenidades cívicas, políticas, religiosas e sociais. D. Maria da Glória Coelho César, minha esposa, deixou esse mundo cedo, mas seu amor vive através dos oito filhos que criei com devoção.

 

Ele olha para o público, uma expressão de gratidão em seu rosto.

 

Climério Galvão César:  Quanto à vasta cultura e virtude que me destacavam, foram mais do que traços, eram parte da minha essência. O magistério? Uma predestinação que abracei com zelo e dedicação, um talento e dignidade que emprestava a cada sala de aula que adentrei.

 

Ele faz uma breve pausa, olhando para o horizonte antes de olhar de volta para o público.

 

Climério Galvão César:  Minha jornada, meus ensinamentos, eles vivem agora nesta lembrança compartilhada. Espero que minha história inspire aqueles que a ouvem. Obrigado, meus amigos, por me acompanharem nesta jornada.

 

Ele dá um leve aceno para o público e deixa o palco com um sorriso caloroso.


Prof.ª Niled Dias Toniolo




 

 

 

 

 

 

 

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